quarta-feira, 25 de junho de 2014

Não há mais "cólulus"

Momento mãe 2 (porque a Nana está inspirada hoje):
Nana vê uma formiga no chão e pede que eu a mate. Por motivos de logística (lembrando que ainda estou "entalada"), digo que não posso, mas que deixe a formiga lá, afinal, aquela espécie não nos faz mal.
Com um pânico de insetos (o qual não sei de quem puxou ¬¬ ), ela sobe no sofá e atua estar apavorada, dando gritinhos e apontando para a formiga, a qual eu ignoro enquanto passo por cima para buscar os malditos salgadinhos...
Ela, ainda em sua atuação digna de um Oscar, exclama para mim:
- Olha a formiga, olha, olha!!!
- Nana, deixa ela aí que logo ela volta para a casa dela!
- Mãe, ela está ali, olha, olha, olha!!!
- Nana, olhar o quê? Eu nem consigo enxergar essa formiga!
E, enquanto me encaminho lentamente para a cozinha, ouço-a dizendo:
- Mas você usa óculos! Se usa óculos, você enxerga, ué!
Nana, com respostas na ponta da língua desde 2014.

Momento mãe: o salgadinho e o tempo...


Meu pai traz um pacote de salgadinho cebola para a Nana bem próximo da hora do almoço, e esta começa a me pedir para comê-lo. Eu, como mãe cuidadosa, digo que não, senão estragará o almoço. Assim, ela se esquece, e se lembra dos benditos às 14h40. Por motivos de logística (ainda estou "entalada"), aviso-a que os darei às 15h., e, assim, começa a lamúria de minha filha:
Às 14h41, ela pergunta se já pode comer, e eu explico que só se passou 1 minuto.
Às 14h42, ela pergunta de novo, então lhe explico que, quando o ponteiro maior ficar em pé no relógio, é a hora de eu lhe servir o salgadinho (que não é mais tão bendito assim).
Deste modo, ela vai até o relógio da cozinha e grita:
- Olha, mamãe, já chegou!
Eu olho e explico que ainda faltam 17 minutos. Então ela espera um pouco e grita:
- Olha, mamãe, olha, olha, olha...chegou!
Daí entendo que ela está me mostrando o ponteiro dos segundos. Sorrio e, pacientemente, peço para ela olhar o relógio da sala (que não tem ponteiro de segundos), e digo que é para ela olhar para aquele ponteiro maior.
Volto os olhos para as minhas atividades no pc, quando ela me chama e diz:
- Mãe, já chegou!
Sim, minha pequena, aproveitando-se do fato de o relógio não ter vidro protegendo o mostrador, simplesmente girou o ponteiro maior deixando-o em pé. Sim, pois, se o tempo é determinado pelo relógio, nada mais prático do que adiantar o relógio, e não o contrário.
Essa é a minha filha mostrando quem é que manda. Nem o tempo a segura...

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Um gesso e diversas verdades

Depois de uma semana de perna engessada, compreendo completamente o que significa a expressão "tira o pé do chão, galera".

Embora eu brinque, posso dizer que a gente realmente só compreende o que é uma dificuldade quando a vivemos. Antes disso, é só entendimento, que penso não ter o valor real da compreensão. 

E, assim, compreendo verdadeiramente o porquê de não poder ficar ocupando vagas destinadas a pessoas com problemas físicos, elas precisam de facilitações, pois, de verdade, não é fácil viver em uma cidade com suas calçadas, ruas e escadas; principalmente calçadas deterioradas, ruas em que grande parte dos motoristas não se importam com pedestres e cujos semáforos são feitos para quem está com a saúde perfeita (e começam a piscar antes de você, com a saúde perfeita, atingir a guia!), escadas e degraus por todos os lugares.

Antes de imobilizar a perna, estava mancando com ela por aí, e digo: como as rachaduras das calçadas doem! Uma topada já trazia aquela dorzinha aguda no peito, sabe? E só pude percebê-las por conta do puxar da perna; o que me faz pensar em quem tem de enfrentá-las todos os dias, com suas bengalas, cadeiras de rodas, muletas, ou, simplesmente, um sapato ortopédico.

A verdade é que aquela rachadurinha com que não nos importamos diariamente é maior do que imaginamos.

Quando fiquei grávida, aprendi que as pessoas não se importam com as outras enquanto não veem o "problema". No caso, os 3 primeiros meses de gravidez são os mais delicados. Nos 3 primeiros meses, há mulheres que se sentem sim debilitadas, fracas (já que vomitam tudo o que come), podendo desmaiar a qualquer minuto; porém, como não estão com aquela barrigão, há pouquíssimos santos que a deixam "furar fila" sem cara feia; ou fazer pequenos favores sem torcer o nariz. Parece que a gravidez começa somente no 8° mês, mediante a presença do barrigão - que é bem visível, não se confundindo mais com uma gordura localizada (vai saber...).

E agora, imobilizada, sinto literalmente o que é ter o peso (pois esse gesso pesa!) da dificuldade de se locomover, simplesmente. Algo que não se enxerga, somente se sente.

efeitos de voz por uma criança de 4 anos

Momento mãe:

Meus pais vieram em casa para me visitar, e minha Nana simplesmente pega um baldinho de ferro, se esconde atrás dos puffs e começa a falar, com a voz abafada pelo balde:

- Respeitável público: apresento para vocês Nana e sua filha!

E, em seu show particular, pula no meio da sala, segurando uma boneca na mão, e começa a cantar e dançar freneticamente para o seu público. 

Ficou cantando e dançando por uns cinco minutos. Até aí, tudo bem, natural de qualquer criança, mas de onde veio a ideia da voz do balde? Confesso que ficou bem bacana.

Às vezes penso que gostaria de ter a criatividade dessa menina...