quinta-feira, 29 de maio de 2014

Luto

Luto não é apenas um substantivo para descrever um momento de condolência. Também é um verbo para aqueles que ficam e precisarão enfrentar a saudade.

Pluralidade antagônica

Mundo medíocre, como funciona:

Você tenta se destacar em alguma coisa, mas aí descobre que não é tão bom assim, porém, em vez de trabalhar para reverter a situação, começa a minar a possibilidade dos outros para que eles sejam tão medíocres quanto você, se não mais. 

Daí, você é considerado "normal", e, ao estabelecer um padrão de mediocridade, aqueles que se destacam passam a ser os diferentes; e como as pessoas não gostam de diferenças, começam a atacá-lo para que fique na base, como todos os outros, ou não se sinta bem ao final de tudo.

Por isso, quem estuda é chamado de 'nerd', mas quem não estuda é o quê? Quem trabalha direito é chamado de 'pelego', mas quem não trabalha é o quê? Quem cumpre com suas obrigações é chamado de 'almofadinhas', mas quem não cumpre é o quê?

Engraçado que no mundo da mediocridade também foi inventado o "politicamente correto" para que algumas expressões não sejam utilizadas...

Recompensas acadêmicas!

Hoje, na aula de prosódia, meu orientador foi explicar sobre entoação. Para compreendermos bem o assunto, ele começou falando como funciona uma onda sonora, e passou uma figura em movimento demonstrando como elas realmente atuam no espaço: e não é como um gráfico achatado, mas como um pingo na água!

Daí ele nos mostrou como o som funciona dentro da nossa "orelha interna", sim, porque agora não é mais ouvido, para o lado de dentro, e orelha para o lado de fora... é tudo orelha! Interna ou externa! Semântica...

Mas, enfim, ele nos disse que o som mexe com o martelo, a bigorna, finalmente o estribo, e mexe com o líquido que há dentro da cóclea que faz com que percebamos o som. A parte anterior da cóclea é responsável pela captação do sons agudos, enquanto a parte posterior capta os graves, tudo devido a pequenas membranas lá dentro que se mexem com o líquido!

Quem faz essas "traduções" da "água" mexendo e traduz em som são nossos neurônios! Daí o homem explicou como funciona o neurônio, exemplificando com a banda larga de internet (quanto mais velocidade, mais informação recebida!), e falou sobre a necessidade de proteínas para proteger as melaninas que protegem o condutor dos neurônios, e como as drogas intervêm nesse processo! Então entendi que não é que as drogas destruam neurônios, mas elas os deformam, por isso o viciado precisa tanto da droga: para completar a parte que falta no neurônio, pois as outras substâncias do nosso corpo não podem mais fazer isso! Tipo, antes as substâncias e o neurônio tinham um encaixe perfeito, mas a droga alargou o espaço, e agora só ela caberia ali...

Sabendo disso, compreendemos como o som age em nossa cabeça, para então falarmos sobre melodia e prosódia. Mas antes de tocar na oralidade, o orientador mostrou a história da música, como se dão os tons e semitons, a partitura, as notas, escalas, enfim, tudo! E, partindo da noção do traço musical e da curva rítmica, iniciamos o estudo da fala.

Perceba a riqueza disso tudo: o homem falou de anatomia, neurologia, música, consumo de drogas, nomenclaturas em geral, para chegar à entoação, e tudo numa tarde!!!

Sair de casa, pegar trânsito de ida e um big de volta, tomar banho correndo, dar banho correndo na Nana, ir para a faculdade e só agora descansar... tudo vale a pena depois de tanto ensinamento... e eu faria tudo de novo!

Satisfações que somente a educação pode dar!

Cólulus

Momento mãe: Nana me vê de óculos escuros e diz:
- Mamãe, tila o cólulus!
- O quê, Nana?
- O "cólulus".

Eu tinha entendido da primeira vez, só quis deleitar-me com esses pequenos momentos em que palavras fáceis se tornam mais complicadas do que se deve, e as pessoas costumam fazer isso numa determinada fase da vida...

... depois elas param de complicar palavras e complicam fatos, situações, ou a si mesmas...

Parem de vaiar Roma!

Para aqueles que acreditam em bobagens propagadas pela net:

Há um post que rola por aí dizendo que é errado dizer "quem tem boca vai a Roma", mas sim "quem tem boca vaia Roma". Porém, há uma expressão em espanhol que diz "preguntando se llega a Roma (perguntando se chega a Roma)".

Ou seja, comparando ambas as línguas, percebe-se que tal expressão é corrente nos idiomas e, portanto, que ambas têm o mesmo significado informativo. Caso houvesse a intenção de se vaiar alguém, isso também apareceria na outra língua, o que não é o caso.

A questão é: durante o Império Romano, os caminhos realmente levavam à Roma, por isso, era só perguntar para lá chegar (história!). E por isso tal expressão existe em idiomas de língua latina.

Assim sendo, parem de vaiar Roma, tadinha!

Reflexões de um final de ano (2012)

Chegaram as férias, estamos próximos do ano novo e pensamentos retrospectivos abarcam a alma.

Ao avaliar este ano, vi muitas colocações antonímicas ao me descreverem. Fui chamada de feia, bonita, inteligente, burra, arrogante, humilde, chata, legal... foram muitos os antônimos, às vezes colocados num mesmo dia.

Desde muito nova aprendi que são poucas as pessoas interessadas em nós, que, na verdade, elas se concentram em si mesmas e tendem a querer modificar os que estão ao redor para que atendam às suas conveniências. Até tentei mudar pelos outros, mas, que bobagem, nunca ficariam felizes! A felicidade sempre está em você mesmo, no que você pode fazer, independentemente se gostem ou não.

Sempre haverá quem te ache o mais sábio, o mais estúpido, o mais e o menos. E isso realmente importa?

Enfim, após tantos adjetivos, agradeço a Deus por eu saber realmente quem eu sou e apenas acreditar em mim mesma.

Sobre o trabalho acadêmico em Letras

Mestrado: 182 documentos do século XIX editados, estudados codicológica e paleograficamente, de 1785 a 1888; 425 levantamento e desenvolvimento de abreviaturas novecentistas; 16 critérios organizados; 400 variantes linguísticas levantadas desses documentos; 4 transcrições fonéticas de uma página e meia cada uma; fora as centenas de documentos que tive de ler, um por um, para selecionar os 182 que serviram de pesquisa para todos os outros números; e as dezenas de metaplasmos/variações levantadas da fala do dialeto caipira dos entrevistados transcritos. Ademais, 18 filigranas desenhadas a partir dos almaços. No fim, 667 páginas de estudo.

Doutorado: começando com fazer transcrições fonéticas. Até agora foram 4, nas férias. Dez páginas de ouve, transcreve, volta, ouve de novo, transcreve... aponta lembrete para testes de voz depois...

Logo mais vou quantificar quantas frases foram separadas do áudio para que eu pudesse contabilizar a diferença do dialeto paulista e do caipira...

Então, passando novamente por todo esse trabalho, levantamento, pesquisa, eu JURO POR DEUS que nunca mais vou minimizar o meu trabalho. Ficar sentando em uma mesa teorizando é fácil demais, eu quero ver vir fazer esse trabalho braçal em Letras, para poder dizer, com credibilidade, o que realmente significa o estudo da língua.

Quem acha que estudar é moleza, com certeza, não estuda de fato...

Lendo o mundo

Na sala de aula, durante a leitura de uma figura em que saiam várias imagens da cabeça de uma garotinho enquanto ele lia, questiono:
- Qual é a mensagem dessa figura? Afinal, o que o menino está fazendo?
Um aluno de 11 anos responde:
- Ele está lendo o mundo.

Pequenos presentes do dia a dia.

Da criatividade infantil

Mariana vem do meu quarto com o Roselito nas mãos.
Bem, primeiro vamos às apresentações: Roselito é o primeiro rato de brinquedo que ganhei de presente da Rosi Garcia, daí seu nome em homenagem a minha amantíssima esposa.
Regressando à historieta, Mariana vem do meu quarto com o Roselito nas mãos. Pergunto a ela:
- O que você está fazendo com o Roselito?
Ela me responde:
- Não é Roselito, é meu rato.
Corrijo-a, imediatamente:
- É MEU rato, e o que você faz com ele?
Conhecendo-me como ela me conhece, logo percebeu que eu não abriria mão de um de meus estimados bichos, então ela tenta reorganizar sua pequena conquista:
- Tá, mas o nome dele não é esse... - termina ela numa voz cheia de manha e já montando um bico de desmanchar corações.
- Então, - questiono eu, curioso - como é o nome dele?
- Hãããããã... - raciocina a pequena - o nome dele é Chingrufum.
...
Depois do Tcholo, seu simpático amigo imaginário, e de outros seres fantásticos de sua fauna imaginária hiper-criativa com nomes complexos como este que ela resolveu rebatizar o Roselito, tomei uma decisão: jamais serei daqueles pais que pedem ajuda aos filhos mais velhos para decidir o nome de seus irmãos mais jovens, ou então eu corro o sério risco de registrar meu próximo rebento como Scrovaletsk Rodrigues Garcia.


by Fábio Dias

Do porquê dos exemplos

Momento mãe:
Maior conversa no quarto da Nana. Vou até lá e ela está deitada na cama juntamente com dois bichinhos de pelúcia, contando uma história e colocando-os para dormir. 
Enterneço-me com a cena, dou-lhe um beijo e saio.
Quando retorno, ela já está sentada no chão com as mãos "pegando num volante", com os dois bichos atrás dela, indo todos para a escolinha. E é o que ela me diz: "tô indo pa escolinha, tchau!"
A beleza dessa pequena cena é saber que educação aos pequenos não é sermão, bronca, histórias longas apenas, mas exemplos.

Intempéries linguísticas de uma criança:


Nana encontra um carrinho perdido dentro da gaveta de sua avó Nuta Rodrigues e pergunta:
- Vó, de quem é isso?
Vovó sorri e diz, brincando:
- É do "me esquece".
Nana:
- Vovó, eu posso brincar com o carrinho do Miesquece?
E sai pela casa dizendo:
- Olha, tio, o carrinho do Miesquece não é bonito? O Miesquece é legal! A gente pode convidar o "Miesquece" pro meu aniversário...

Depois, voltando para casa, repete:
- Mamãe, esqueci o carrinho laranja do Miesquece na casa da vovó! Vamos buscar?
Quase respondo, "esquece", mas deixei passar e avisei que ela brincará com ele amanhã.

Chegando em casa, por ela não estar muito bem do estômago, resolvo fazer um mingau de maisena para ela, e, ao servi-la, ela me interpõe:
- Mamãe, o que é isso?
- É papinha.
- Papinha de quê?
- Papinha, papinha, ué?
- Mas de quê?
Daí lembro que eu todos chamam a comida dela, janta, almoço, de papinha... então me corrijo:
- É mingau.
E ela:
- Não quero. Mingau é comida de bebê.

É tanto discernimento, meu Deus...

Escolhas de natal

Momento mãe natalino:

Estou aqui no meu quarto, desenvolvendo a pesquisa, e chega a Nana - como todas as manhãs em que estamos em casa -, senta-se ao meu lado e pede para ver desenho. Eu estranho e questiono:
- Você não quer ver se o Papai Noel deixou o seu presente?
Ela para, pensa, e pede mesmo assim:
- Eu vejo depois, agora eu quero ver desenho...

Não sei se o hábito é mais forte, se ela valoriza momentos como esses em que estamos em casa, se ela é menos consumista, se ela gosta mais de desenho do que de lasanha... Não sei. Mas que Deus continue a abençoar essa menina que faz escolhas tão fofas!

Da gramática infantil

Nana, como toda criança durante o processo de adquirir a linguagem, possui várias inadequações que a gente vai corrigindo e rindo. Sentada à mesa junto com os tios, ela fala pelos cotovelos e diz:

- A gente dois vai comer.

O tio Marcelo Dias sorri e imita:

- A gente dois vai comer?

Ela o olha e diz:

- A gente fala errado, não é?

Ai, ai, nossa linda flor de Lácio...

Repaginando contos infantis

Post com spoiler*

Hoje fomos levar a Nana para assistir Frozen. Nossa primeira impressão era a de que havíamos pagado para ver um musical devido à quantidade de canções na animação. Porém, tive gratas surpresas ao constatar que não era só mais um "clássico" da Disney: 

1. Chega de amores à primeira vista: a jovem princesa até achou que havia se apaixonado assim, mas ouviu de seu pretendente "você estava tão desesperada por amor que se jogou nos braços do primeiro que te esboçou carinho". Uau.

2. Chega de princesinhas aguardando que seu príncipe a salve: o encantamento dizia que ela só se libertaria do mal perante um ato de amor. E esse ato não foi o tal famigerado beijo de um príncipe estranho, assim como os outros contos, mas uma atitude que partiria dela mesma.

Esses novos "contos" não trazem somente a visão atual das mulheres e valores, mas como elas devem ser reconhecidas. Nem melhores, nem piores, mas ao lado de seus companheiros, vivendo como equipe.

Finalmente.

Próximo passo: que comerciais e programas da tv brasileira parem de tratar mulheres como objetos. E que elas parem de se vender assim também!

Sobre a fonética infantil

Enquanto íamos à cozinha, Nana bloqueia o fim do corredor e nos interpela:

- Vocês só podem passar se adivinhar um nima.

Mediante a contextualização, logo descobrimos que era um enigma. E lá vai ela nos fazendo 3 perguntas, para cada um. Só após o acerto, podíamos passar. 

Primeiramente, ela questionou quem fazia hohoho e entregava presentes no fim do ano. Depois, o que fazia auauau e colocava a língua para fora. Por fim, o que tinha 4 "pénas" e tinha "netar". Essa foi mais difícil, daí supomos que "neta" seria néctar e respondemos abelha. Mas erramos! Pois o diacho das "pénas" não eram "pernas", como pensamos, mas PÉTALAS!

Enigma, néctar, pétalas... entender um conto mitológico de Édipo que envolve a esfinge é fácil, difícil mesmo são as proparoxítonas e encontros consonantais!

Nós monstros na cabeça!

Momento mãe:

Estávamos no banheiro após acordar, e eu lá, penteando os cabelos da minha Nana, quando, ao desfazer um nó, ela grita:

- Ai, mãe!
- Desculpa! Mas por isso que tem de pentear, senão fica cheio de nós!
- Você vai acordar o monstro do cabelo!
- Monstro do cabelo? Que monstro do cabelo?
- É. O monstro do cabelo! O pai me contou!
- O pai te falou que existe um monstro no cabelo?
- É, tem sim! Ele vive no cabelo e sai comendo todo mundo fazendo assim, ó: buarrrr!!!

Nisso, peço ajuda aos universitários:
Fábio Dias, que negócio é esse de monstro do cabelo?
O pai humildemente responde:
- Então... são nós monstros...
- E você contou que os nós monstros dos cabelos saem por aí comendo pessoas?
- Não. Isso são coisas da cabeça dela.

Uma coisa é certa: em redações narrativas, essa menina tem tudo para se dar bem no futuro!

Da contra-argumentação infantil

Momento mãe:

Lições para manipular um adulto:

1o. Pegue um adulto e coloque uma criança ao seu lado;

2o. Faça o adulto fazer pão de queijo para a criança;

3o. Deixe ela pedir assim: "mãe, faz um pão de queijo em formato de coração?"

4o. Espere o adulto responder: "não dá, filha. Quando for para o forno, vai ficar disforme!"

5o. Continue ouvindo a criança: "mas mãe, se você fizer, vai ser a minha melhor mãe!"

6o. Contra-argumente: "filha, você só tem uma mãe, eu vou ser a melhor de qualquer jeito!"

7o. Deixe a criança raciocinar: "mas, mãe, tem um monte de mãe por aí."

8o. Faça o adulto manter a seriedade e responda: "claro que sim. Cada pessoa tem uma mãe."

9o. Ouça a criança: "Então, você vai ser a melhor mãe de todas!"

Crianças bobinhas, onde vocês ficaram na história desse país?

Nós monstros na cabeça!

Momento mãe:

Estávamos no banheiro após acordar, e eu lá, penteando os cabelos da minha Nana, quando, ao desfazer um nó, ela grita:

- Ai, mãe!
- Desculpa! Mas por isso que tem de pentear, senão fica cheio de nós!
- Você vai acordar o monstro do cabelo!
- Monstro do cabelo? Que monstro do cabelo?
- É. O monstro do cabelo! O pai me contou!
- O pai te falou que existe um monstro no cabelo?
- É, tem sim! Ele vive no cabelo e sai comendo todo mundo fazendo assim, ó: buarrrr!!!

Nisso, peço ajuda aos universitários:
Fábio Dias, que negócio é esse de monstro do cabelo?
O pai humildemente responde:
- Então... são nós monstros...
- E você contou que os nós monstros dos cabelos saem por aí comendo pessoas?
- Não. Isso são coisas da cabeça dela.

Uma coisa é certa: em redações narrativas, essa menina tem tudo para se dar bem no futuro!

Do porquê das frases de mãe

Momento mãe:

Sabe aqueles posts/e-mails que dizem que mães fazem curso para dizerem as mesmas frases e terem as mesmas atitudes? Então... entendi uma daquelas frases e atitudes hoje...

Como nem tudo é perfeito na vida, hoje a Nana estava virada no Jiraya! Fomos ao oftalmo, e, como sei que demora, levei alguns atrativos que, após umas duas horas, não faziam mais nenhuma diferença para a menina.

Sendo assim, num dado momento, ela começou a pular num local até espaçoso, mas fiquei lá orientando civilizada e pacientemente "para com isso, você vai machucar; estou avisando". Mas nisso ela escorrega, cai, e ainda dá um "paranauê" no atendente que está passando logo atrás. Por sorte, ela não acertou o rapaz que, vendo-a tomar um chão, apenas saiu caminhando.

Daí tive meu "momento mãe de antigamente" suavizado: lembra daquele instante em que nossas mães (a sua, jovem de mais de 30 anos!) dizia "se cair, se machucar ou voltar chorando, apanha!" e pensávamos "que raio, já estou todo estropiado e ainda apanho?"? Então... eu compreendi-o perfeitamente hoje, pois senti na pele como é ser mãe e estar lá, avisando, apontando, orientando, e nada. E pela primeira vez como mãe senti o sangue subindo...

Ninguém precisa chamar o conselho tutelar não, pois não a surrei, belisquei, ou algo parecido, mas a bronca foi grande... ah, se foi...

Momento mãe tomando um fora:

Estávamos no banho, quando Nana pergunta:

- Mãe, como faz o umbigo?

Daí, eu, na minha santa nerdice conhecida por todos, começo a explicar-lhe que ele nasce a partir do cordão umbilical; e este cordão é ligado à mamãe quando o bebê está dentro da barriga; e ele é o responsável por levar o alimento à criança; e que depois que a criança nasce, o cordão cai ficando o buraquinho na barriga. E que tudo isso é muito bacana, pois durante o tempo em que o bebê está na barriga, recebe comida diretamente da mamãe, então ela se alimentou de mim e eu da vovó...

Então ela me olha com cara de "ué" e responde:

- Não, mamãe. Como faz o umbigo na massinha!

Imediatamente me lembrei da piada em que a criança pergunta ao papai o que era sexo, e este, juntamente com enciclopédias e afins, disserta seriamente sobre o assunto, até que a criança lhe responde: "tudo bem, pai. Mas como vou colocar tudo isso no quadradinho deste formulário?"

Aprendi que essa piada nasceu de um evento real...

Gil Vicente mirim

Momento pai por Fábio Dias:

Nana pega a caderneta de controle do pagamento da perua escolar, me mostra e diz:
- Olha, pai, meu livro com a história do ônibus.
Devo esclarecer, nesse momento que a página de abertura do item supracitado possui uma imagem da van que faz o seu transporte escolar.
- Pai - continua ela - vou ler a história do meu livro pra você.
Sim, ela não sabe ler. Sim, não tinha nada escrito naquele pedaço de cartolina. Sim, toda a história que ela supostamente leu brotou dessa cabecinha altamente imaginativa. É claro, eu deixei sua imaginação viajar e fui dando corda pra ela construir seu roteiro fantástico que foi mais ou menos assim:

O ônibus estava vindo, cheio de pessoas dele quando caiu no penhasco. Todo mundo que tava dentro do ônibus morreu! Daí eles viraram zumbis!
E os zumbis saíram do ônibus pra pegar todo mundo, mas Ninguém conseguia pegar os zumbis.
Então os zumbis foram pra cidade, mas a polícia chegou pra prender todos os zumbis. A polícia colocou os zumbis numa caixa e prendeu eles lá dentro, mas Ninguém soltou eles e eles voltaram para o ônibus.
(A essa altura, você, caro leitor, assim como eu, já deve ter percebido que Ninguém é mais um personagem da história - Chupa Homero!)
E os zumbis transformaram os policiais em zumbis e Ninguém fugiu pra chamar os bombeiros.
Os bombeiros vieram pra salvar todo mundo, mas os policiais zumbis zumbizaram os bombeiros, daí Ninguém tacou fogo nos zumbis e os zumbis morreram (sim, os zumbis morreram. Foi isso que ela disse. E quem sou eu pra corrigir essa roteirista?) e Ninguém salvou todo mundo!!!!
Fim, eu acho.

Ps.: uma vez, antes de dormir, ela me contou uma história com o Ninguém e o Todo Mundo, eu me lembrei de Gil Vicente mas, como era antes de dormir, eu dormi com ela e me esqueci... Hoje ela conta para o pai!
Minha pequena GIL VICENTE, rsrsrs
A educação consiste em acreditar que o outro seja capaz.

Momento mãe (para ensinar adultos)

Estou aqui fazendo o meu santo ofício, corrigindo provas, mas com a tv ligada em desenhos para a Nana. De repente, olho os bichinhos de estimação das Lallaloopsies e vejo que eles pulam de um lado para outro sem pés! E, impressionada com tal fato, questiono a esmo:

- Mas eles não têm pés?

Nana, que estava jogando no pc, sem tirar os olhos da tela me responde:

- É porque eles são bonecos, não precisam ter pés.

Olho para ela, que pensava nem estar prestando atenção, e agradeço pela explicação. Enquanto eu aguardava um simples "de nada", esta prontamente me responde:

- Criança é para isso mesmo.

Está certo, filha. Crianças foram feitas para ensinar os adultos, sempre. 

Do porquê livros serem insubstituíveis

Na minha qualificação, eu fui elogiada por escrever e expôr bem meu ponto de vista na tese. A escrita vem de um longo período de exercício, exercícios até diários às vezes, de colocar o argumento e pensar no que o leitor vai contrapor para imediatamente o contra-argumentar. É uma partida de futebol, em que você deve julgar rapidamente o que o seu adversário fará com a bola. Mas, assim como um jogo que tem táticas, você deve ter reportório e argumentos suficientes para segurar o seu ponto de vista.

Infelizmente, como muita coisa no meu aprendizado escolar, eu tive de descobrir isso na unha, pois as pessoas que deveriam ter me ensinado o "jogo" do texto dissertativo não o fizeram. Foi um EM em uma escola de estado ruim, dois anos sem ter aula de língua portuguesa, para os quais tive de preencher as lacunas deixadas sozinha.

Ok, não reclamo disso, afinal, não fiquei choramingando, simplesmente fui lá e fiz: preenchi as lacunas. E quem me ensinou a pensar no jogo argumentativo, a me desenvolver, a exercitar, por incrível que pareça, foi uma rede social. E eu gosto desse jogo, gosto de entrar em contato com as diferentes perspectivas de outras pessoas, tal qual fazia no falecido orkut. Porém, descubro no Fb que, assim como tudo na vida, jogos argumentativos não são para todos, nem dados a todos. Percebo que jogos argumentativos podem ofender de um jeito que eu, particularmente, não entendo, porque não os considero como pessoais. Afinal, eu argumento fatos, não pessoas. E também não entendo como as pessoas entendem qualquer tipo de discussão como briga; por que elas leem esses tipos de texto com tom de voz agressivo, ou algo assim.

E isso me preocupa, pois a briga diária é fazer com que o próximo entenda que nem sempre o texto foi escrito para si, embora ele possa despertar na gente sentimentos e memórias. A mágica dos textos é fazer isso com o ser humano, mas há um longo caminho entre a ponte dos sentimentos do autor e do leitor. Por isso sempre é mais fácil argumentar fatos, e não pessoas. Nunca a conheceremos como pensamos.

Mas, de qualquer forma, os jogos argumentativos não foram feitos para o Fb, local onde as informações passam em questão de segundos pela vista. Fb é uma rede social feita apenas para compartilhamento rápido de ideias, não para a degustação mais profunda delas. E, no fundo, talvez nada na net seja. Por isso que, para mim, no fundo, os livros continuam sendo insubstituíveis... 

Criança não conhece saudade

Acendo uma vela. Nana olha e me pede:

- Mãe, posso soprar?

Respondo-lhe que não, que aquela vela não era de aniversário, que nem todas as velas são de aniversário. Elas são luz, feitas para iluminar caminhos. 

Nana não entendeu. Ela queria soprar a vela. Então pediu ao pai, que lhe disse a mesma coisa: que as velas simbolizavam nossas orações para alguém com quem nos importamos que se vai.
Nana não entendeu que existem velas de luto. Para ela, velas são destinadas a momentos felizes.

Nana não conhece saudade e o significado de se ir embora para sempre.

Felizes são as crianças.

Momento mãe orgulhosa:

Daí, né, eu dou uma tartaruguinha de pelúcia cor de rosa saindo de um ovo de tecido para a Nana. Primeiramente, ela achou que fosse uma calcinha, sei lá por que... Mas quando ela conseguiu tirar a tartaruguinha de lá, ficou encantada, e começou a dizer:

- Olha, mãe, ela saiu do ovo e agora vai caminhar até o mar para encontrar a mamãe dela. Daí, vai ter gaivota que vai querer pegar ela, então a gente vai ter que proteger ela, sabia?

Depois, correu para o quarto e pegou a outra tartaruga maiorzinha de pelúcia, pois esta é a mamãe da pequena... E eu fiquei lá, boquiaberta, por saber que minha filha entende mais de ecossistema do que muita gente!

... é, como disse uma aluna minha, nessa idade eu comia terra, kkkkkkk!


Thank you, Discovery Kids, Irmãos Kratts e afins!

Estudar é preciso

Você percebe que estudar é preciso quando você começa a ver mentiras repetidas se tornando verdades, ou a falta de reflexão para muitas afirmações feitas. 

Você percebe que estudar é preciso quando ouve pessoas emitindo frases extremamente exageradas sem perceber o poder que aquilo pode tomar. Não se pensa nas consequências. E a gente vê o tamanho da ignorância daquilo que é dito quando percebe que a frase saiu sem o mínimo de averiguação, pesquisa, questionamento. A frase saiu de algo que porcamente se viu, de uma conclusão tirada e emitida sem a menor boa vontade de ver se era correto ou não.

A gente percebe que estudar é preciso quando vê pessoas levando sua ignorância para o mundo... a gente se vê amarrado, sem poder fazer nada, pois há uma política social que faz da hipocrisia uma forma de "educação" e "norma de boa convivência", onde sorrisos e "gentilezas" são prioridades, não mais aquilo que é o certo; afinal, espera-se que o outro também estude...

A gente percebe que estudar é preciso quando passa horas e mais horas do seu dia lendo, analisando, refletindo, e, ao expôr o que aprendeu, recebe de resposta uma frase subjetiva "eu acho que não" de alguém que nem sabe o que subjetivismo significa.

A gente percebe que estudar é preciso quando entende que ESTUDAR não significa somente ato de ir à escola, mas um ato contínuo que não deve ser interrompido nunca, pois a ignorância é contagiosa...

Momento mãe #chateada:

Há algum tempo, Nana ganhou um kit de banho de patinhos, e junto veio uma esponja de tecido que não parece algo de banho, pois tem preenchimento de espuma e, enfim, parece mais um ornitorrinco do que uma esponja ou algo parecido. E que também não esfrega nada e não tiraria sujeira nenhuma caso fosse usada com essa intenção...

E Nana sempre gostou do seu "ornitorrinco", com o qual brinca junto com os brinquedos, pois é um boneco! Sabemos que a intenção é ser esponja porque o kit dizia que era uma, mas o fato que o troço é um boneco!

Pois bem. A menina resolve levar o seu "ornitorrinco" para a escola no dia do brinquedo. E, chegando em casa, ela nos conta que as crianças ficaram comentando baixinho que ela tinha levado a esponja para a escola, e a chamaram de boba por isso. E ela, desencanada, deu os ombros e disse não ter se importado.

De verdade, espero que não tenha se importado mesmo. Mas eu me incomodo por viver em uma sociedade em que crianças de 4 anos já julgam o que o outro deve ser, deve ter. E sei que isso é fruto de nós mesmos, pois, de acordo com casos científicos, se essas crianças fossem criadas por macacos, teriam hábitos de macacos, não é assim?

E, por fim, se aquele troço não parece uma esponja, como a criança sabe disso? Se é para julgar, julgo que uma delas tenha uma mãe muito da porquinha, pois aquilo não tira sujeira não!

Tristezinhas de um cotidiano

Presenciar cenas infelizes não deveria ser próprio do ser humano, considerando sua socialização.

A primeira foi às 6h40 da manhã de um dia frio. Estava garoando fininho e, em uma fila quase infinita de carros, decido parar e dar passagem a um pedestre que estava no meio fio esperando por uma oportunidade de simplesmente atravessar a rua. Eu lhe dei a oportunidade. E um "carro" que estava mais atrás de mim quase a tira. Sim, o trânsito parou por longos 30 segundos, e o "carro" não quis esperar: ele saiu da fila, acelerou e, mesmo na contramão, quase atropela o pedestre, que, teoricamente, estava em segurança, já que eu estava parada e na pista contrária não vinham mais veículos. E, o que doeu, foi ver que o "carro" sequer diminuiu sua velocidade, e o pedestre teve de correr e livrar-se de sua inconsequência.

A segunda foi ver um gatinho bebê sendo atropelado. O gatinho estava assustado e perdido, e, assim, entrou numa loja onde alguém bateu o pé firme para espantá-lo. Dessa batida de pé, o gato sai em disparada e, na sua miudeza, o motorista nem soube no que estava passando por cima. Retirei-o da rua para ter a dignidade de permanecer inteiro, mas, ali no asfalto, faleceu. Agora, não é mais perdido e assustado; nem quem bateu o pé precisa se preocupar com isso.

A terceira foi hoje, às 7h45 da manhã. Levo a Nana à escola e, na volta, um motorista para antes da faixa de pedestre para me dar passagem. Ressabiada por ontem, olho para um "carro" que vem logo atrás para me certificar de que ele pararia também. Não, o "carro" não parou. Ele ultrapassou pela direita e acelerou, tal qual o "carro" do dia anterior, enquanto eu estava "a salvo", na frente do que havia me dado passagem, olhando para o "carro" que fazia essa atitude em frente a uma escola de crianças da pré-escola.

Não somos "carros", somos gente: fora e dentro do carro. Não temos de espantar nada, a não ser ratos e moscas, pois o ato de assustar algo ou alguém implica responsabilidades!

Somos seres sociais, temos responsabilidade. Chega desse egoísmo que corrompe e corrói. Olhem para os lados: seja na política, seja no individualismo. De verdade: isso não está ajudando ninguém!

Por favor, comece por você a mudança. Você. Não seu carro. Não suas roupas. Não seus pertences. VOCÊ.