quinta-feira, 29 de maio de 2014

Tristezinhas de um cotidiano

Presenciar cenas infelizes não deveria ser próprio do ser humano, considerando sua socialização.

A primeira foi às 6h40 da manhã de um dia frio. Estava garoando fininho e, em uma fila quase infinita de carros, decido parar e dar passagem a um pedestre que estava no meio fio esperando por uma oportunidade de simplesmente atravessar a rua. Eu lhe dei a oportunidade. E um "carro" que estava mais atrás de mim quase a tira. Sim, o trânsito parou por longos 30 segundos, e o "carro" não quis esperar: ele saiu da fila, acelerou e, mesmo na contramão, quase atropela o pedestre, que, teoricamente, estava em segurança, já que eu estava parada e na pista contrária não vinham mais veículos. E, o que doeu, foi ver que o "carro" sequer diminuiu sua velocidade, e o pedestre teve de correr e livrar-se de sua inconsequência.

A segunda foi ver um gatinho bebê sendo atropelado. O gatinho estava assustado e perdido, e, assim, entrou numa loja onde alguém bateu o pé firme para espantá-lo. Dessa batida de pé, o gato sai em disparada e, na sua miudeza, o motorista nem soube no que estava passando por cima. Retirei-o da rua para ter a dignidade de permanecer inteiro, mas, ali no asfalto, faleceu. Agora, não é mais perdido e assustado; nem quem bateu o pé precisa se preocupar com isso.

A terceira foi hoje, às 7h45 da manhã. Levo a Nana à escola e, na volta, um motorista para antes da faixa de pedestre para me dar passagem. Ressabiada por ontem, olho para um "carro" que vem logo atrás para me certificar de que ele pararia também. Não, o "carro" não parou. Ele ultrapassou pela direita e acelerou, tal qual o "carro" do dia anterior, enquanto eu estava "a salvo", na frente do que havia me dado passagem, olhando para o "carro" que fazia essa atitude em frente a uma escola de crianças da pré-escola.

Não somos "carros", somos gente: fora e dentro do carro. Não temos de espantar nada, a não ser ratos e moscas, pois o ato de assustar algo ou alguém implica responsabilidades!

Somos seres sociais, temos responsabilidade. Chega desse egoísmo que corrompe e corrói. Olhem para os lados: seja na política, seja no individualismo. De verdade: isso não está ajudando ninguém!

Por favor, comece por você a mudança. Você. Não seu carro. Não suas roupas. Não seus pertences. VOCÊ.

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