Na minha qualificação, eu fui elogiada por escrever e expôr bem meu ponto de vista na tese. A escrita vem de um longo período de exercício, exercícios até diários às vezes, de colocar o argumento e pensar no que o leitor vai contrapor para imediatamente o contra-argumentar. É uma partida de futebol, em que você deve julgar rapidamente o que o seu adversário fará com a bola. Mas, assim como um jogo que tem táticas, você deve ter reportório e argumentos suficientes para segurar o seu ponto de vista.
Infelizmente, como muita coisa no meu aprendizado escolar, eu tive de descobrir isso na unha, pois as pessoas que deveriam ter me ensinado o "jogo" do texto dissertativo não o fizeram. Foi um EM em uma escola de estado ruim, dois anos sem ter aula de língua portuguesa, para os quais tive de preencher as lacunas deixadas sozinha.
Ok, não reclamo disso, afinal, não fiquei choramingando, simplesmente fui lá e fiz: preenchi as lacunas. E quem me ensinou a pensar no jogo argumentativo, a me desenvolver, a exercitar, por incrível que pareça, foi uma rede social. E eu gosto desse jogo, gosto de entrar em contato com as diferentes perspectivas de outras pessoas, tal qual fazia no falecido orkut. Porém, descubro no Fb que, assim como tudo na vida, jogos argumentativos não são para todos, nem dados a todos. Percebo que jogos argumentativos podem ofender de um jeito que eu, particularmente, não entendo, porque não os considero como pessoais. Afinal, eu argumento fatos, não pessoas. E também não entendo como as pessoas entendem qualquer tipo de discussão como briga; por que elas leem esses tipos de texto com tom de voz agressivo, ou algo assim.
E isso me preocupa, pois a briga diária é fazer com que o próximo entenda que nem sempre o texto foi escrito para si, embora ele possa despertar na gente sentimentos e memórias. A mágica dos textos é fazer isso com o ser humano, mas há um longo caminho entre a ponte dos sentimentos do autor e do leitor. Por isso sempre é mais fácil argumentar fatos, e não pessoas. Nunca a conheceremos como pensamos.
Mas, de qualquer forma, os jogos argumentativos não foram feitos para o Fb, local onde as informações passam em questão de segundos pela vista. Fb é uma rede social feita apenas para compartilhamento rápido de ideias, não para a degustação mais profunda delas. E, no fundo, talvez nada na net seja. Por isso que, para mim, no fundo, os livros continuam sendo insubstituíveis...
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