segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Não existem situações sem 100%

Há coisas que de tempos em tempos pululam na internet e me deixam incomodada, principalmente por se tratarem de simples opiniões. Porém, o problema é que muitas opiniões passam a ser "verdades" de uma hora para outra, e acho isso perigoso.
Por exemplo? Uma amiga compartilhou um texto de um blog em que se aconselhava que ninguém fosse visitar um bebê pequeno. Embora eu tenha achado o "ninguém" forte demais (afinal, era um desejo DA AUTORA), tudo bem, foi opinião. E minha amiga compartilha da mesma opinião. Tudo bem, cada um tem uma realidade e, se ela acha que é o melhor, respeitemos. Mas daí eu começo a ver um monte de gente que não tem essa experiência postando o mesmo texto... "peraí", gente, não é melhor ligar para a pessoa antes e perguntar se ela pode/quer receber visitas ou não?
O fato é que, após o nascimento de um bebê, a vida social dos pais fica praticamente inerte durante uns 2 anos. A criança tem horários, tem necessidades, e é preciso atendê-las. Por isso, é compreensível um casal querer ficar de molho por um tempo, mas isso não significa que eles não queiram receber ninguém em suas casas. Há pessoas que têm necessidade de gente, e as visitas são boas para elas e, consequentemente, para os bebês.
Imagine alguém, sob essa condição, parar de receber a todos por que alguém instituiu que isso é uma verdade? A pessoa pira. Eu falo com propriedade, pois sou uma dessas pessoas.
Quando a Nana nasceu, eu adorei receber todas as visitas. Pessoas que nem costumam vir em casa deram uma passadinha aqui. Sabe, isso é gostoso! Nos sentimos amados, queridos, e a criança desde cedo recebe esse amor.
De verdade, às vezes acho que estamos nos tornando uma sociedade paranoica! Além desse texto mencionado, aparecem outros, às centenas, falando para não beijar o bebê, não abraçar, não respirar perto dele, por causa das bactérias, disso, daquilo... Calma, povo! Olhe ao redor e vejam o número de gente viva: seguimos direitinho o conselho do Criador e nos multiplicamos aos montes! A pesquisa mais bem sucedida está aí: nossos avós nem sabiam da metade das prescrições e olha quanta gente bem criada!
Mas, veja, não estou falando de conselhos médicos, mas dos achismos! Estou criticando justamente o fato de se colocar o filho em uma bolha e depois ter de ouvir do pediatra "olha, ele precisa sim de bactérias, senão ele não desenvolve anticorpos. Você pode parar de usar Protex e pode, sim, espirrar de vez em quando perto dele".
Devemos lembrar que eles são nossas joias raras, mas, antes de tudo, eles são cidadãos do mundo. Superprotegê-los significa a possibilidade de criar pessoas imaturas, incapazes. Devemos lembrar que tudo ao extremo faz mal, e pessoas que não vivem por si certas experiências, por vezes, crescem amputadas, pois muita coisa bate direto na personalidade.
E, por fim, deve-se haver mais sinceridade! Não está a fim de receber visitas, fala! Não quer que toquem no seu filho, fala! Não quer que te toquem, fala! Esse negócio de esperar que o outro entenda as suas necessidades é superestimar as pessoas. Ou, de boa, egoísmo. Pois, da mesma forma que você está envolvido com seus pensamentos, problemas, percepções... o outro também está. Por que cobrar do outro algo que é seu? Porque, de verdade, textos como os mencionados, são apenas TEXTOS DE OPINIÃO, não ARTIGOS CIENTÍFICOS.
Graças a Deus, nada é 100%: NÃO EXISTE ESSE NEGÓCIO DE TODOS OU NINGUÉM, sempre haverá quem pense e faça as coisas diferente de você, ou daquilo que você acha. Graças a Deus!

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