segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Bumbumzeiro

Momento mãe:
Estávamos Nana e eu cantando uma bonitinha música do Palavra Cantada em que se fala o nome de uma fruta e a resposta é o nome da árvore dessa fruta. Então, eu começava:
- Laranja?
E a Nana:
- Lalanjeila (ela ainda troca o R pelo L, a minha pequena Cebolinha).
- Maçã?
- Macieila.
- Mexerica?
- Mexeliqueila.
- Tomate?
- Tomateilo.
- Embu?
- Bumbuzelo.
- Bumbuzeiro, Nana? Bumbuzeiro não existe!
- Existe, sim, mãe. A ávole do bumbum é o bumbunzelo.
- Filha, é UMBU!!! A árvore do UMBU é o UMBUZEIRO!!!
Mas não adiantou. Ela continuou cantando com o "bumbunzeiro", e eu com a imagem de um "bumbunzeiro" na cabeça...

Perigos da internet

Momento mãe:
Chego à casa de minha mãe para buscar a Nana, e minha mãe pede que eu a ajude com o pc que está travado. De repente, Nana olha para mim e diz:
- Ah, mãe, isso é por causa dos perigos da internet. Eu vi uma moça na tv falando sobre os perigos da internet.
Sorrio, a beijo, e destravo o pc que liga normalmente. Daí entro na net e começamos a navegar vendo algumas fotos, quando, novamente, o pc trava, quando digo:
- Ih, mãe, travou de novo. Acho que o modem que conecta a internet está entrando em atrito com algum programa aqui...
E Nana prontamente adverte:
- Eu não falei que eram os perigos da internet?
Bom, vendo por esse ponto de vista, creio que ela esteja completamente com a razão, a minha analista de sistemas,

Xixi de passarinho

Momento mãe
Nana chega em casa e diz:
- A minha amiga disse que chuva é xixi de passarinho.
- É nada - respondo eu.
Ela rebate:
- Mas ela disse que é!
- Não é não, filha. A chuva vem das nuvens. Sua amiga está viajando...
- Tá não, mãe. Ela já voltou...
Ah, as gírias no contexto da variação linguística... E há quem pergunte por que a norma padrão é necessária...

De olhos bem abertos

Momento mãe:
Após fazer o nosso ritual do sono, dou um beijo em Nana e desejo-lhe boa noite. Quando estava saindo do quarto, ela me diz:
- Mamãe, fica aqui comigo. Tenho medo do escuro.
- Filha, eu já te disse que nada irá acontecer. Papai e Mamãe estão aqui bem perto de você.
- Mas, mãe, está escuro...
- Fecha os olhos que você não vê a escuridão, filha!
- Mas eu tenho medo de pesadelo.
- Você não vai ter pesadelos. Pense em coisas boas que você não terá pesadelo nenhum.
- Mas, mãe, quando eu abro os olhos um pouquinho, o pesadelo sai...
...
Taí uma verdade: os pesadelos só saem quando estamos com os olhos abertos.

Momento mãe Houdini

Momento mãe:
Nana não gosta de falar ao telefone, logo, a gente liga pelo Skype para ver um pouquinho a ingrata (que nem fala de voltar para casa) e fazê-la com que ela fale um pouco mais.
Assim, durante as vídeo-conferências, a bonita faz mais caretas do que conversa, gira na cadeira, mostra a língua, e assim vai... até que ela inventa uma mágica (leia essa última palavra com voz de sussurro): em frente à webcam, ela nos manda fechar os olhos. Então, nós, que não queremos fechar os olhos, saímos da frente do nosso pc (e ela imagina que sim, que fechamos os olhos). Daí ela pega o avô, põe-no na frente da lente e nos manda abrir os olhos. Tchã-nam! Ela virou o avô!
Assim, ela pede para fecharmos os olhos de novo, tira o avô, volta à posição inicial, e nos pede para abrirmos os olhos. E quem vemos? A Nana novamente! Tchã-naaaaam!
David Copperfield, Houdini e Mr. M: morram de inveja dessa técnica!

Não existem situações sem 100%

Há coisas que de tempos em tempos pululam na internet e me deixam incomodada, principalmente por se tratarem de simples opiniões. Porém, o problema é que muitas opiniões passam a ser "verdades" de uma hora para outra, e acho isso perigoso.
Por exemplo? Uma amiga compartilhou um texto de um blog em que se aconselhava que ninguém fosse visitar um bebê pequeno. Embora eu tenha achado o "ninguém" forte demais (afinal, era um desejo DA AUTORA), tudo bem, foi opinião. E minha amiga compartilha da mesma opinião. Tudo bem, cada um tem uma realidade e, se ela acha que é o melhor, respeitemos. Mas daí eu começo a ver um monte de gente que não tem essa experiência postando o mesmo texto... "peraí", gente, não é melhor ligar para a pessoa antes e perguntar se ela pode/quer receber visitas ou não?
O fato é que, após o nascimento de um bebê, a vida social dos pais fica praticamente inerte durante uns 2 anos. A criança tem horários, tem necessidades, e é preciso atendê-las. Por isso, é compreensível um casal querer ficar de molho por um tempo, mas isso não significa que eles não queiram receber ninguém em suas casas. Há pessoas que têm necessidade de gente, e as visitas são boas para elas e, consequentemente, para os bebês.
Imagine alguém, sob essa condição, parar de receber a todos por que alguém instituiu que isso é uma verdade? A pessoa pira. Eu falo com propriedade, pois sou uma dessas pessoas.
Quando a Nana nasceu, eu adorei receber todas as visitas. Pessoas que nem costumam vir em casa deram uma passadinha aqui. Sabe, isso é gostoso! Nos sentimos amados, queridos, e a criança desde cedo recebe esse amor.
De verdade, às vezes acho que estamos nos tornando uma sociedade paranoica! Além desse texto mencionado, aparecem outros, às centenas, falando para não beijar o bebê, não abraçar, não respirar perto dele, por causa das bactérias, disso, daquilo... Calma, povo! Olhe ao redor e vejam o número de gente viva: seguimos direitinho o conselho do Criador e nos multiplicamos aos montes! A pesquisa mais bem sucedida está aí: nossos avós nem sabiam da metade das prescrições e olha quanta gente bem criada!
Mas, veja, não estou falando de conselhos médicos, mas dos achismos! Estou criticando justamente o fato de se colocar o filho em uma bolha e depois ter de ouvir do pediatra "olha, ele precisa sim de bactérias, senão ele não desenvolve anticorpos. Você pode parar de usar Protex e pode, sim, espirrar de vez em quando perto dele".
Devemos lembrar que eles são nossas joias raras, mas, antes de tudo, eles são cidadãos do mundo. Superprotegê-los significa a possibilidade de criar pessoas imaturas, incapazes. Devemos lembrar que tudo ao extremo faz mal, e pessoas que não vivem por si certas experiências, por vezes, crescem amputadas, pois muita coisa bate direto na personalidade.
E, por fim, deve-se haver mais sinceridade! Não está a fim de receber visitas, fala! Não quer que toquem no seu filho, fala! Não quer que te toquem, fala! Esse negócio de esperar que o outro entenda as suas necessidades é superestimar as pessoas. Ou, de boa, egoísmo. Pois, da mesma forma que você está envolvido com seus pensamentos, problemas, percepções... o outro também está. Por que cobrar do outro algo que é seu? Porque, de verdade, textos como os mencionados, são apenas TEXTOS DE OPINIÃO, não ARTIGOS CIENTÍFICOS.
Graças a Deus, nada é 100%: NÃO EXISTE ESSE NEGÓCIO DE TODOS OU NINGUÉM, sempre haverá quem pense e faça as coisas diferente de você, ou daquilo que você acha. Graças a Deus!

domingo, 26 de outubro de 2014

Há quem se incomoda mais com meus títulos do que eu mesma...

Ontem aconteceu um fato que me incomodou. Mas não incomodou por ter sido isolado, mas por ter acontecido algumas vezes. Então, chega, vou desabafar:

Fui, sou e sempre serei uma chata. É só perguntar para os meus amigos de escola como eu me comportava em relação ao conhecimento e educação.

Por isso fui, sou e sempre serei estudante. Eu estudo o tempo inteiro, leio, sou uma verdadeira viciada em informação. Neste instante, estou terminando um artigo científico e dando uma lida nos jornais que sigo aqui no fb e twitter. Mas, lógico, entre as notícias, tem as pessoas. E vou lendo tudo.

O resultado de tanto estudo são títulos que busco, que vou recebendo como recompensa do meu trabalho. E trabalha-se pra caramba para conseguir isso, não é presente de ninguém.

Sendo assim, sou especialista em LÍNGUA PORTUGUESA e SUAS VARIAÇÕES.

Assim, não sou especialista em matemática, nem economia, sem sociologia, nem nada de nada. E, de boa, falo bobagem e faço besteiras. E vou continuar fazendo. Como hoje, em que confundi Peru e Chile e perguntei à minha amiga se ela tinha visitado pirâmides no Chile. E daí? Acontece. Como elas mesmas disseram, português não é geografia.

Além disso, o único lugar em que me apresento pelo título é no meu serviço, pois essa titulação serve para ele. Se me perguntam quem eu sou, respondo: Rosi. Eu não me apresento nem como Professora, que é o meu título de orgulho e satisfação. Afinal, professora eu sou na escola.  No trânsito, eu sou motorista. Em casa, eu sou mãe e esposa. Com os amigos, eu sou besta.

Então, quem me olha assim, chega, pare. Parem de se referir a mim pelos títulos. Ou fica fazendo aqueles comentariozinhos imbecis do tipo "nossa, e é mestre..." Lógico que sou. Em Português. Em dialeto caipira. Em variações. Mas, mesmo assim, eu não vou ficar pensando em como você fala as coisas (a não ser que seja muito zoado, mas, até aí, todos notam...).

Agora, se meus diplomas incomodam, está fácil: escolas e faculdades estão abertas para qualquer um. Basta querer e correr atrás.